Fizeste o que te restava, olhos postos no chão,
sem olhar para trás seguiste a tua vida.
"Quero ser livre" repetiste pela milésima vez,
sem qualquer ressentimento, com a maior frieza possível.
Foste a minha grande aposta
mas a minha maior decepção.
Dei-te tudo o que tinha e até o que não tinha,
fiz de ti a pessoa mais importante na minha vida,
entreguei-me a ti de corpo e alma, tornamo-nos
num só, até que de um momento para o outro
não havia nem um eu, mas apenas um tu, pois
eu morri naquele momento, não foi só uma pessoa
que morreu na minha vida mas sim uma grande parte
de mim. Tiraste-me tudo o que eu tinha de bom, o
meu sorriso, a minha felicidade, a vontade de viver,
não só me tornei numa pessoa insegura como
também fria.
Amei-te de uma forma inexplicável, confiei em ti
todos os meus medos e segredos, tornaste-te no
meu herói, no meu cavaleiro andante. Mas tudo
isso não passou de uma ilusão, até tu.
Para mim sempre foste perfeito, mas no fim disto
tudo percebo que não passaste de um egoísta e
de um orgulhoso.
O amor é cego ou será que fui eu que não quis
ver a realidade e preferi deixar-me levar na tua
onda que me prendeu e me deixou ás
cambalhotas, mesmo depois de ter engolido
tanta água, continuei contigo, naquela onda
tão grande e tão forte que me marcou para o
resto da vida.
As feridas saram mas as cicatrizes ficam para
sempre, e por mais cambalhotas e quedas que
dei permaneci contigo, sem nunca desistir pois
eu pensei que era eterno e continuei a amar-te
com todas as minhas forças.
Mas agora não espero nada de ti e sabes
porquê?
Porque já não tens nada para dar, nem a mim,
nem a ninguém.